José Laércio do Egito

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Home Hermetismo Ego AUTO-ESTIMA E AUTO-IMAGEM
AUTO-ESTIMA E AUTO-IMAGEM Imprimir E-mail
Escrito por José Laércio do Egito   
Sáb, 13 de Fevereiro de 2010 17:55

AUTO-ESTIMA E AUTO-IMAGEM

 

“ CREIO SER  DIFICÍLIMO  E   RARO   CONHECER-NOS A

NÓS PRÓPRIOS, MAS FACÍLIMO E COMUM ILUDIR-NOS”.

W. VON HUMBOLTDT

 


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TEMA 1.295

Vale aqui fazer algumas considerações sobre a auto-estima, situando-a dentro do contexto miasmático, e mostrar a diferença que existe entre auto-estima e auto-imagem. A auto-estima é um sentimento que pode ser considerado como conservação do “ego”, enquanto que a auto-imagem é um fator de criação e hipertrofiamento do “ego”. 

São os lados “minus” e “plus” dos “conceitos” quem estabelece o nível de auto-estima. Um individuo com um bom grau de equilíbrio mental normalmente equaliza a “minusvalia” e a “plusvalia”. Em síntese, podemos dizer que a auto-estima equivale ao querer bem a si mesmo, um aspecto comparável ao narcisismo, sentimento este que quando não está exacerbado, miasmaticamente pode ser considerado como uma condição psórica. A auto-estima quando diminuída pode se refletir como complexo de inferioridade, sentimento de incapacidade, apatia, desencorajamento, e outros sintomas que refletem indiferenças para com os seus próprios valores pessoais, para com aparência pessoal tanto física quanto mental, e que geralmente se apresenta como um estado de tristeza.

Quando acontece uma ampliação da auto-estima a conseqüência se faz presente mais como ansiedade, como angústia, como medo e coisas assim. O sofrimento é mais direcionado para a própria pessoa, portanto deve ser então considerado como um sintoma psórico.

Embora em muitas situações a auto-estima pode ser confundida com a auto-imagem que é um produto diretamente ligado ao “ego”. Há três distintos conceitos sobre a maneira de ser da pessoa. A primeira é como ela vê a si mesma, a segunda é como os outros a vêm, e a terceira é como realmente ela é. A auto-imagem corresponde à primeira destas três condições. Ela representa o conceito que a pessoa tem de si mesma. Este conceito pode estar diminuído ou ampliado, em decorrência de distúrbios da área intelectiva, gerada por danos estruturais ou deformações educacionais, sociais, religiosos. São condições que vão se refletir como sintomas, podendo chegar a um patamar de ilusões e mesmo de delírios intelectivos expressos como: Acredita ser rei; acredita ser uma pessoa muito importante; pensa que todos lhes devem obediência, que é Deus, que tem uma missão divina na terra, que é um messias, que é um gigante, que todas as pessoas lhes são inferiores, com tendência a humilhar os subalternos e inúmeros outros. Enche-se de arrogância, de prepotência, de orgulho, de ditatoriedade, de egotismo, podendo até mesmo atingir um nível de crueldade de maldade, de vingança.

O quadro descrito pode ser condicionado por distúrbios da área intelectiva podendo então se exacerbar até um ponto em que a pessoa estará sujeita a ter distúrbios sinestésicos, tais como se sentir fisicamente enorme, sentir que é dois, que está divido,

Quando o “ego” se torna fortemente impregnado com a auto-imagem, então a pessoa já não é mais ela, e começa a agir como se fosse uma outra pessoa. A auto-imagem é sempre alimentada pelo “ego”; tanto mais este se amplia quanto mais aumenta o sentimento de ampliação da auto-imagem.

Quando uma pessoa dá muita importância à auto-imagem, ela limita a sua capacidade de apreciar os outros, e o mundo à sua volta, tornando-se individualista, egocentrista, pelo que se torna antipática, alguém de um humor indesejável.

A auto-imagem tem como base a ilusória idéia do “eu” e do “outro”, e se cristaliza com a do “eu sou”, do “meu”. A auto-imagem é um subproduto do ego, pois quando ela começa o ego já está presente. Ela inclui não só o que a pessoa possa identificar “conscientemente” em relação a si própria, como também processos “inconscientes”, o que corresponde ao conceito jungueano de “sombra” ou “lado inferior”. Conduz a pessoa a se desviar daquela condição expressa por Samuel Hahnemann mencionada no Organon como “os altos fins da existência”.

O comportamento de uma pessoa em relação à sua auto-imagem reflete muito do nível de clareza da consciência. Se observarmos atentamente o constante fluxo dos pensamentos notaremos que muitos deles estão relacionados com a auto-imagem, contribuindo para reforço da idéia de uma personalidade “separada” de quem somos em realidade. Enquanto uma pessoa for dominada pela auto-imagem, ela não pode ser livre; enquanto ela estiver presa à importância da auto-imagem, mais distante estará de ser livre o bastante para um viver mais tranqüilo no mundo da diversidade.

Um intelecto bem estruturado requer um conceito de auto-imagem não exacerbado fazendo com que a pessoa não se identifique com ela, e isto é importante porque ninguém é a imagem que faz de si mesma, nunca é quem o que pensa ser, bem como não é que os outros fazem dela, e sim o que ela na realidade é. Afinal, ao auto-imagem nada mais é do que imaginação.

Unisticamente a auto-imagem é um mero mecanismo de defesa do “ego”, portanto quando a pessoa chega ao nível de se sentir una a auto-imagem ela se dilui totalmente, pois percebe não ser a auto-imagem. Em termos de Homeopatia isto acontece exatamente naquela condição referida pelo Mestre Homeopata Argentino Thomaz Pablo Paschero, que dizia: “A verdadeira cura só ocorre quando a pessoa sai da posição de egoísmo e chega na de altruísmo”. Portanto, na medida em que a pessoa vem chegando, em termos físicos a um estado de cura, e espiritualmente ao de libertação, a pessoa proporcionalmente vem percebendo essa diferença e então se identificando cada vez menos com a auto-imagem que é responsável pelos nossos problemas, insatisfações e sofrimentos.

Muitas vezes a causa de alterações do conceito tem como causa distúrbios de natureza sifilínico, mas que se manifestam como sintomas psíquicos de sicosis - quando ocorrer hiper-valorização da auto-imagem, e psórico quando há a sua atenuação.

Por um lado os conceitos facilitam, por outro dificultam muito a vida das pessoas no mundo dialético. Logo que se cria um conceito diminuem as chances de uma experiência direta, pois ao se conceituar algo geralmente ele está sendo deturpado em favor do ego. Entre os elementos constitutivos do intelecto, sem dúvidas “conceito” é o um dos que mais respondem pelas emoções, desde que são os conceitos que condicionam as interpretações dadas às coisas.

É como diz Clovis Correia de Souza Filho[1]: No nível do ego, as terapias concernem à acentuação do “eu” (ego) e ao reforço da auto-imagem pela afirmativa “eu sou”. Neste nível o individuo pode assumir-se tomando a responsabilidade pelo que ele é. No nível que transcende o ego, as terapias concernem à desacentuação e transcendência e dissolução do ego. A transcendência e dissolução do “ego” e da auto-imagem é um processo altamente terapêutico, pouco conhecido dos que temem a solidão, pelo ato de perder a sólida noção do “ego” e da auto-imagem com a qual se relacionar. No dia em que começarmos a questionar se tais entidades (fictícias) e suas projeções existem realmente, estaremos nos aproximando de sua transcendência e dissolução, e da conseqüentemente “união” com a nossa verdadeira natureza. Enquanto nos identificarmos com o “ego” e com a “auto-imagem”, estaremos vendo, sentindo e percebendo o mundo como uma “extensão” desta imagem. Estaremos “limitados” aos cinco sentidos e à uma realidade puramente objetiva.

Vemos nesse comentário que as terapias psicológicas clássicas tendem à uma pseudo-cura desde que elas apenas reforçam a estrutura do “ego”. Por outro lado, podemos afirmar que a Homeopatia como sistema de cura enérgico que é, pode eliminar muito dos véus que bloqueiam os sentidos físicos e psíquicos facilitando a pessoa a se dá conta de um outro nível de realidade, e conseqüentemente fazendo desaparecer a maioria das doenças que são meras sumarizações dos conflitos mentais.

 

 



[1] Clovis Coreia de Souza Filho - Introdução à Psicologia Tibetana - Ed. Vozes - Petrópolis

 

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