José Laércio do Egito

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A TRINDADE CRISTÃ PDF Imprimir E-mail
Ter, 27 de Outubro de 2009 08:52
A TRINDADE DAS IGREJAS CRISTÃS

“ BRAHMÂN ESTÁ ALÉM E ACIMA DE
QUALQUER ATRIBUTO E DE QUALQUER
CARACTERIZAÇÃO”.
HINDUÍSMO.

 

1 9 9 6
T E M A 0.5 3 3

 

 

 (TEMA BEM INDICADO PARA O SEXO FEMININO)

Duas diferenças básicas existem entre a Trindade Cristã ( ortodoxo-romana ) e outras Trindades de muitos povos Em diversas as épocas. Um aspecto feminino na Trindade e a existência de Um Poder transcendente à própria Trindade. Essas duas condições foram progressivamente sendo afastadas da Trindade desde os primeiros séculos do cristianismo. Havia um forte interesse do poder negativo em eliminá-las.

Para que possamos compreender a razão pela qual a polaridade feminina foi afastada da Trinda-de mencionada pelas Igrejas Católicas e Evangélicas é preciso que nos reportemos à Cabala. Na “Árvo-re da Vida” três sephirot compõem a Tríade Superior (Kether - Hokhmah - Binah) conforme nos ensina a Tradição. Desta Tríade teve origem a criação de tudo quanto existe no universo a partir de Binah. O que era Uno tornou-se múltiplo, “fragmentou-se”, a partir de Binah que corresponde à polaridade femi-nina de Hokhmah. Na Trindade que compõe a Tríade Superior, Kether é neutro Hokhmah é masculino e Binah feminino. Diz a Tradição que todas as coisas dentro do universo tiveram como ponto de origem Binah, portanto este sephirah tem sido considerado a porta de entrada do mal no mundo. A emanação, fragmentação, de Binah ocasionou a diversificação, a diferenciação entre o mal e o Bem, e sendo assim a consciência localizada neste sephirah é a fonte original do mal.

Dentro da perfeição (Trindade Inicial ) qualquer transformação somente pode ter um sentido, o de queda, pois aquilo que já é perfeito não pode se tornar melhor, daí a única possibilidade é piorar. Se a Trindade é o Bem em nível de perfeição qualquer alteração ocorrida só pode haver ocorrido no senti-do da limitação, da imperfeição, assim sendo, indubitavelmente, a “emanação”, a partir da Trindade Perfeita ocorrida através de Binah, quando da criação do universo ,sem dúvida alguma, implicou em queda, em descida, em afastamento da perfeição, em distanciamento do UM. Por esta razão os Gnósti-cos afirmavam que toda criação era originariamente má, que todo a matéria e tudo o que dela provém era igualmente mau.

A Força Negativa passou a existir como uma degradação de Binah, dando origem aos demô-nios e, assim sendo, ela própria é a fonte de todos eles. Ela tudo fez para ocultar o seu próprio envolvi-mento do processo da criação, como veremos na palestra seguinte. O ortodoxismo cristão estabeleceu a Trindade como dogma, mas não a trindade primitiva, aque-la citada pelos gnósticos. Foi o bispo Atanásio quem definiu a trindade católica como dogma. Ele não teve de buscar inspiração fora da própria religião hebraica em seu aspecto exotérico para descrever a trindade dentro da criação, simplesmente modificou aquilo que aprendera no Egito onde vivera quase toda a vida. Ele havendo vivido no Egito apenas mesclou o pensamento egípcio com o hebreu, copiou a trindade dos egípcios e eliminou a polaridade feminina segundo o hebraismo.

Atanásio tinha conhecimento daquilo que era ensinado nas religiões básicas do Egito e, assim sendo, modificou ligeiramente uma das três “pessoas” da Trindade. Todas as Trindades mencionadas nas religiões do Egito, assim como nas das demais civilizações antigas, eram compostas do Pai, da Mãe e do Filho. Atanásio modificou essa trindade e estabeleceu outra composta por Pai, Filho e Espírito Santo. Todas as religiões antigas tinham um elemento feminino compondo a Trindade e isto foi exa-tamente o que Atanásio modificou basicamente. Porque Atanásio agiu assim? - Consciente ou incons-cientemente ele estava fazendo o “trabalho” de ocultamente da força negativa. No Cristianismo dos primeiros séculos o elemento feminino estava presente no mundo Divino, conforme veremos nestas pa-lestras.

O trabalho de ocultamente levado a efeito por Atanásio defrontou-se com dois fatores sérios. Um deles era o gnosticismo que explicava perfeitamente a presença feminina e situava a origem do mal na própria trindade. A trindade católica teve que ser estabelecida como dogma em virtude da grande maioria dos cristãos não aceita-la tal como estava sendo propagada pelo Cristianismo Ortodoxo. O dogma é algo que tem que ser aceito sem direito a discussões, é o aceitar sem restrições, algo proposto como verdade sem direito a qualquer contestação. Em Teologia é o mais alto grau de ditatoriedade, de imposição.

O outro obstáculo era de natureza mais sutil, ou seja, o arquétipo da mãe dentro da criação. O elemento mãe era um forte arquétipo presente em todas as pessoas, por isso não podia ser excluído tão facilmente quanto supunha Atanásio. Retirado da trindade o lado feminino, o arquétipo “mãe” ,falou mais alto e o povo estava colocando Maria como uma deidade. O que Atanásio estava pretendendo reti-rar o povo estava querendo restabelecer, o arquétipo feminino da Trindade através de Maria. A celeuma foi tanto que houve a necessidade de uma tomada de posição oficial da Igreja e para isso foi convocado o tumultuado Concílio de Éfeso em 431 d.C. Aquele Concilio acabou não colocando o lado feminino na Trindade, contudo criou um lugar especial para a Virgem Maria, o lugar de “Mãe de Deus”. Isto foi imposto como dogma, mas que gerou a necessidade de outro dogma. Sendo Maria a Mãe de Deus Ela teria que ser imaculada, desde que não tinha cabimento esse lugar ser preenchido por um ser maculado. Assim, para atender a essa necessidade o Cristianismo Ortodoxo estabeleceu o Dogma da Imaculada Conceição. Mas essa solução de nenhuma forma atendeu ao questionamento, e o termo “Mãe de Deus” foi contestado por grande número de bispos.

Ao excluir a polaridade feminina da Divindade a Igreja viu-se diante da dificuldade de superar a força arquetípica do lado feminino na criação. Não era possível através de simples decreto episcopal se anular a força de um arquétipo que existira desde épocas imemoriais. Como tal não era fácil apagar da mente humana a presença feminina na Trindade, por isso o povo acabou exigindo a presença feminina junto à Trindade.

A idéia arquetípica da existência da polaridade feminina a nível divino tornou-se um movimento muito forte no seio do Cristianismo, isso em decorrência exatamente da força do arquétipo da Deusa Mãe presente na ancestralidade humana. Quando a Igreja endossou a proposta de Atanásio que modifi-cava a Trindade eliminando o lado feminino, naturalmente ela não percebeu poder de um arquétipo que, mais cedo ou mais tarde acabaria trazendo a idéia de uma Deusa Mãe.

A Igreja não percebeu, de início, que criando o lugar de “Mãe de Deus” para Maria por certo estava criando uma dificuldade ainda maior. Mesmo negando o lugar feminino na Trindade a criação do lugar “Mãe de Deus”, no qual foi posto Maria. Sem querer a Igreja a colocou num nível mais elevado que o próprio Deus, desde que, como mãe ela precedia a Deus, pois Lhe dera origem. Comparando-se com outras doutrinas, como mãe de Deus, Maria ocuparia o lugar de Brahman no Hinduismo, ou de Kneph do Antigo Egito, ou de Poder Superior de doutrinas mais recentes, e de todas as religiões Mo-nistas. Como Mãe de Deus seja qual for o sentido que se queira dar a Deus Ela nesse lugar estaria num nível superior e anterior. Maria precederia a Trindade, portanto, segundo o Monismo Ela seria a Causa Primeira, o Ser infinito e Incriado, um Ser além da Criação, evidentemente

Atanásio transformou a Trindade clássica que sempre foi citada como Pai - Mãe - Filho, em Pai, Filho e Espírito Santo. Ele retirou o lado feminino, mas isto não foi seguido por todos os cristãos, confomre pode ser constatado através de todos os evangelhos gnósticos. Algumas vezes Jesus mencio-nou o Espirito Santo como sua “Mãe”.

A força negativa cometeu o equivoco de inspirar a retirada do lado feminino da Trindade, que-rendo com isso se ocultar mais. Ela não percebeu de início que aquela decisão da Igreja, crianda o “lugar Mãe de Deus”, faria reviver o Monismo, a existência de algo além da criação, exatamente o que menos lhe interessava. Como tentativa de corrigir isto a força negativa nos séculos seguintes levou dissidências cristãs a manterem a retirada do lado feminino da Trindade, mas ao mesmo tempo destituir Maria do lugar de “Mãe de Deus” de “Imaculada Conceição” colocando-a simplesmente no lugar de uma mulher comum.

A segunda diferença diz respeito ao fato de que em todas as trindades há menções a um Poder Superior transcendente. Com exceção das mencionadas igrejas oriundas do Cristianismo Ortodoxo todas as cosmogoni-as falam de um Princípio Supremo, eterno; de uma realidade além de todo o universo. Como já vimos, esta é, por exemplo, a crença central do hinduísmo e de outras doutrinas. O Poder Superior está além e acima de qualquer atributo e de qualquer caracterização; é a fonte de Onipotência, Omnisciência e Soberania, portanto Infinito.

A força negativa sempre procurar agir no sentido de ser anulado a idéia de um Principio Único, de um Poder Superior, e de serem trazidas as cosmogonias para o nível do universo criado, pois assim é mais fácil para ela se colocar no lugar de um dos deuses. Isto pode ser visto naquelas palavras do Demiurgo após haver tirado de si as legiões de anjos: “Eu sou o único deus, então existe outro alem de mim. ___________________________________________________________

2 Em palestra futura estudaremos com mais detalhes sobre o verdadeiro lugar de Maria no contexto teológico segundo a natureza de Jesus, tal como era o pensamento do Cristianismo Gnóstico dos primeiro séculos 3Na Índia esse principia não é aceita pelo Budistas e nem pelos Jainistas razão pela qual os hinduístas os chamam de “nastikeas”, ou seja, heréticos, ou “gente que não acredita no Ser”.

 

 

 

 

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