José Laércio do Egito

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Home Hermetismo Metafísica HOLOGRAMA E O MMOVIMENTO
HOLOGRAMA E O MMOVIMENTO Imprimir E-mail
Escrito por José Laércio do Egito   
Ter, 27 de Outubro de 2009 08:13
HOLOGRAMA E O MOVIMENTO

“QUEM CONHECE OS OUTROS É SÁBIO,
QUEM CONHECE A SI MESMO É ILUMINADO”
LAO TSE

 

2 0 0 9 – 3 3 6 3
T E M A 1. 9 4 3

 

A temática da 6ª Câmara de Estudos Herméticos é, incontestavelmente, de natureza muito metafísica, por isso não muito fundamental no atendimento ao desenvolvimento espiritual. Para alguns, os assuntos são de pouco valor prático, pelo menos no patamar do nível em que a humanidade se encontra.

No mundo imanente, este que vivenciamos, acreditamos que tudo está se deslocando, que existe movimento presente em tudo. Na verdade, o movimento consta como um dos pilares da Imanência, mas como este mundo é ilusão, logo tudo o que nele existe, inclusive o movimento, também é ilusão. Uma ilusão dentro de outra ilusão.

O Primeiro Principio Hermético – Princípio Mental – cita que tudo quanto há dentro da criação tem natureza mental. É essa natureza que permite a existência da criação mental. A mente cria tudo. Todas as formas de existência são reflexos. Em linguagem atual, são hologramas. Todos os seres humanos são hologramas de Um Ser Único. O incomensurável número de seres que julgamos ser reais, na verdade, são apenas reflexos de um Único Ser, portanto, os seres tal como os vemos são hologramas.

Admitindo-se a natureza holográfica do ser, surgem alguns pontos que requerem uma análise mais profunda.

Um holograma que apresenta um movimento é ele que se movimenta, ou apresenta um reflexo apenas? - Nesse caso, quem se movimenta é a origem. Vamos exemplificar: Quando uma pessoa se movimenta será que tal movimento é real, ou é efeito ou apenas refletido por ela? Uma imagem holográfica não pode se movimentar por si mesma, desde que ela é um reflexo. Uma imagem vista em um espelho não se movimenta sem que aquilo que é refletido o faça. O movimento de uma imagem visível em um espelho se trata de um movimento em nível da origem e não da imagem refletida. Portanto, qualquer movimento que seja visto numa superfície refletora não procede dela propriamente, mas sim daquilo que estiver sendo refletido.

Vamos considerar o “E” (Eterno Agora), algo em que tudo quanto há está contido nele, onde não há nem espaço, e nem tempo, e nem movimento... Tudo o que seja visto como deslocamento não se trata de algo se deslocando, mas sim refletindo o movimento do elemento que estiver sendo refletido. Toda seqüência de um deslocamento visto, já consta do “E” como presença, como imagem atual. No “E” só existe o presente, portanto não cabe deslocamento algum. Há apenas a potencialidade da projeção de sucessão de imagens.

Para entender isso, podemos considerar como exemplo uma fita de cinema em que há uma sucessão de imagens. Mesmo que se perceba o deslocamento da imagem na tela, na verdade não há deslocamento, ele é uma ilusão resultante da limitação de percepção. Num filme todos os quadros já estão contidos, embora se veja deslocamento na tela, na verdade não há deslocamento real da imagem, e sim manifestações de imagens sucessivamente registradas no filme. Podemos dizer que o filme cinematográfico, em essência, é algo parado, nele não há deslocamento algum. O deslocamento da imagem é fruto da sucessão de percepções.

O mesmo serve de exemplo para a impressão de deslocamento no mundo imanente. É inconcebivelmente elevado o número de imagens no “E”. Tudo quando houve, há e haverá está eternamente ali.

Uma pessoa não tem apenas uma imagem presente no “E”, e sim, o potencial de um inconcebível número delas. No “E” a imagem original não é única, e sim, múltiplas, todos os aspectos, todos os atos já estão presentes no “E” como imagens localizadas, mas em potenciais. Quando se vê uma pessoa se deslocar, na verdade ela não está se movimentando e sim sendo percebida em sucessão que já está presente no “E”. Exemplo: Há uma imagem de pessoa num ponto A, outra no B, outra no C e assim por diante. A percepção faz com que a imagem A seja percebida, em seguida a B, depois a C e assim sucessivamente. Vemos que realmente não há deslocamento e sim percepções sucessivas de imagens paradas, tal como acontece na projeção de um filme cinematográfico em que as imagens procedem de quadros parados, mas que se apresentam como se estivessem em movimento. Não existe distância entre a imagem de um quadro para outro. O mesmo acontece no “E”, pois distância implica em espaço e nele não existe espaço. As imagens no “E” não são únicas, tal como no filme. Como tudo quanto há já consta dele, então torna possível a percepção de uma infinidade de imagens distintas.

Não se pode dizer quantas imagens de algo podem ser percebidas, mas se pode dizer que, assim como um filme cinematográfico tem um deslocamento que é do filme e não da imagem). O “deslocamento” não é da imagem, mas da percepção, e a velocidade de um deslocamento resulta do deslocamento da percepção.

Nesse caso, o mínimo que se pode perceber de algo decorre da cintilação da Consciência. A Consciência se manifesta fracionariamente, como cintilações. O limite perceptivo é estabelecido por um “quantum” mínimo de emissão que chamam de cintilação da Consciência. Na verdade a Consciência é parada, ela não cintila, mas a mente a percebe como se o fosse porque ela não poder evidenciar o todo. É a fração mínima de percepção que a mente tem da consciência que se considera uma “cintilação”. Por isso, em vez da expressão “cintilação de consciência” é melhor usar “cintilação de percepção mental” ( o mínimo que a mente pode perceber).

Quando num cinema se vê deslocamento de uma imagem, na verdade, ela não se deslocou, o quadrinho continua no mesmo lugar, quem se deslocou foi a fita dando então a sensação de deslocamento da imagem. Não é a imagem em si quem se desloca, mas a o filme com aquilo que está gravado. O mesmo exemplo pode ser usado para entender a relação do deslocamento de uma imagem. Quando vemos uma pessoa caminhando, na verdade ela não está se deslocando, e sim, sendo projetada como uma sequência de imagens projetadas a partir do “E” mas que a mente é incapaz de perceber.

Um nativo vendo um filme cinematográfico, por desconhecer o processo íntimo, ele acredita que o elemento da cena visto na tela se deslocou. Ele não percebe que o que se deslocou foi a fita na qual a imagem estava gravada. Não sabe que a imagem não se deslocou, mas sim que uma sequencia dela é quem o fez. Por desconhecer o processo ele não sabe que está vendo uma ilusão sensorial.

 

 

 

 

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