| O DIÁLOGO DA ROSA |
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| Dom, 28 de Junho de 2009 22:18 | |||
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"SEU NOME NÃO EVOCA SINOS SUBMERSOS
1975 - 3328
Sabes Rosa, que há momentos na vida em que gostaríamos de fugir de todos, de tudo esquecer e até de abandonar a nós mesmo... de andar, andar sempre... seguir sem rumo como um barco num vendaval. Há momentos em que desejamos morrer... Morrer não, pois a morte é alguma coisa naqueles momentos, por certo, não queremos algo. Talvez melhor fosse a não existência. Sim, isto mesmo, a não existência. Sabes o que nos torna assim naquelas momentos em que vemos tudo escuro e frio diante de nós? Talvez seja o ter consciência das coisas. Ter consciência das coisas... suprema dádiva de Deus para o ser humano. Sabes rosa, muitas vezes sentimos tanta opressão em nosso ser que ficamos a pensar: Não seria melhor se fossemos como tu, bela, singela, com os matizes mais lindos de cores que se espraiam na maciez de delicadas pétalas, que tantas vezes parecem envoltas em lágrimas quando um pequenino fio dourado de orvalho resplandece aos beijos dos primeiros raios do Sol que anuncia um novo dia pleno de esperanças para uns e de incertezas para outros. Por que, Oh! Meiga Rosa? - Por que não nascemos inconscientes como tu? Assim não vería-mos a face de criaturas que sofrem, nem as lágrimas de mães que embalam filhos inocentes vitimas, muitas vezes, de um mundo que parece não haver sido criado por culpa deles. Não veríamos a tristeza de uma esposa distante, não sentiríamos o quanto magoa a vaidade e a exaltação dos homens, a prepotência dos poderosos, o orgulho e a soberba dos ricos, a inveja de muitos afortunados, a volúpia dos sádicos e a falsidade dos hipócritas. Não perceberíamos a malícia dos que nos rodeiam, nem as bocas que caluniam, nem os olhos que traem. Não nos fatigaria a agitação dos formigueiros humanos das grandes metrópoles onde todos correm em busca de insignificâncias mas que mesmo assim julgam coisas importantes. Lá onde já não mais se pode parar para não se ser esmagado, onde nem mais se conhece o belo. Ali, até mesmo Tu, rosa nem sequer serias visto, e por certo tentariam te esmagar sem que fosse perceber o quanto de perfeição há em ti, o quanto de sabedoria, de arte e de beleza, pois não percebem o mistério que faz surgir de uma pequenina semente a maravilha que és. Por certo nem para¬riam para pensar um segundo no quanto maravilhoso é o mecanismo que se esconde dentro de teu ser, que por certo ninguém perceberia aquele saber imenso que faz com que de um tenro botão desabroche todo um esplendor de pétalas coloridas, numa simetria de formas e nuanças de cor que jamais o pincel de qualquer artista sequer se aproximou de representá-las em sua real beleza e candura. Sabes, Rosa, o ter consciência é algo muito triste porque nos faz sentir o mundo que nos fere e de quem não podemos fugir pois aqui temos de nascer e sofrer. Jamais de vi chorando, querida flor, como o fazem os humanos. Já te vi, porém, tantas e tantas vezes consolando criaturas aflitas que têm em ti uma mensageira de amor e carinho em momentos felizes, e de alívio das tristezas de um derradeiro adeus por alguém que já não regressará... Isto acontecerá quando nasceres e viveres, como vivo, no meio dos espinhos e eles não mais te machucarem, então compreenderás O GRANDE MISTÉRIO DA CRIAÇÃO e o REAL SENTIDO DA VIDA. Porém, amada criatura, não julgues que o desabrochar do ser interior é fácil, antes, terás que pelejar muito para conseguí-lo, mas por certo o galardão da vitória será aquele digno de um verdadeiro herói. Mas, ainda não será o fim e por isso não poderás dormir sob os loiros da vitória, porque, quando a tua beleza interior houver resplandecido como o fazem agora as minhas pétalas abertas, então estarás sujeito a ficar a mercê da insânia dos homens. O ser é como um tenro botão de rosa, mesmo pequenino, fechado, ainda sem beleza, mas que já traz dentro de si um esplendor de formas e de cores que se manifestarão de um momento para outro. Tal como eu, se desabrochares com todo esplendor ante olhos profanos, certamente serás alvo da cobiça e da inveja dos seres. Se puderes, ocultar tua beleza interior como o faz um botão de flor e com certeza muitos sofrimentos serão evitados. O ser desperto é tal qual uma ROSA que, mesmo estando entre os espinhos do mundo não é atingida por eles. Assim deves ser, como uma ROSA, entre espinhos ninguém te incomodará por certo porque tudo aquilo que agora julgas serem acúleos que a muitos machucam na realidade são eles que te isolarão e te defenderão. Muitos dos que buscam coisas que não mais aceitarás por certo se afastarão de ti, nada eles têm para compartilhar contigo pois embora, mesmo que ainda viveres entre espinhos eles na realidade não fazem parte de ti e nem te atingirão, por certo. Quando fores libertando tuas virtudes certamente alguns tentarão te atingir, como tentam atingir-me os insetos que atraídos pela beleza e perfume não titubeiam mesmo assim em destruir minha aparência exterior, como se não quisessem que minhas pétalas existissem. Por isso não se deve ser unicamente pétalas porque elas são mais facilmente atingidas . Quando as virtudes houverem despertado, quando o teu coração houver desabrochado em toda sua plenitude, aprende Oh. Divino ser, a te resguardar dos olhos profanos para que o mundo não desmorone sobre ti. Põe todo o teu SER que desabrocha dentro de uma campânula do mais puro cristal para que sejas visto sem deformações mas que te isolem para que não possas ser mais atingido... Adeus, oh sublime SER ! Irei antes de ti, bem o sei, mas a CRIAÇÃO é eterna e a MENTE é imortal, por isto nos reencontraremos após o alvorecer de uma NOVA VIDA PURA E RADIANTE.
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