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Escrito por José Laércio do Egito
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Sáb, 13 de Fevereiro de 2010 17:46 |
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REAÇÕES DE DEFESA DA INDIVIDUALIDADE “QUEM, REVENDO O ANTIGO, APRENDE O NOVO, PODE SER CONSIDERADO MESTRE”. CONFÚCIO 2 0 0 0 - 3 3 5 3 TEMA 1.288  Vimos que o vivenciar o mundo imanente significa basicamente um constante interagir do “eu” com tudo aquilo que a mente considera “outros”. Para que isso funcione assim, no estabelecimento da imanência aquilo que é consciência clara, ilimitada e Una se torna mente limitada, fragmentária. Considerando-se ser um “eu” entre os “outros”, a mente para assim se manter requer o desenvolvimento de perceber, de ter percepções e como conseqüências ter sensações e sentimentos. No indivíduo há três níveis básicos de condições que respondem pela integridade da invidualidade, conforme a fig. 1. Figura 1 Aqui estão representadas três áreas nas quais se agrupam as reações oferecidas como defesa do “ego” em nível mental. Na primeira área - afetivo/emotiva constam reações (sintomas) que dizem respeito aos sentimentos, a segunda à vontade, e a terceira ao intelecto. Na verdade a área volitiva é a área de comando das demais, é a que controla as reações conforme as percepções, os sentimentos e as sensações. Essas áreas são representam os níveis das reações mentais desenvolvidas a partir dos estímulos (percepções). São as reações oferecidas pelo “eu” ante o “meio exterior” visando manter a inviolabilidade de uma presumível individualidade. Sendo assim podemos dizer que este esquema é representativo da resposta mental do ser aos estímulos, ou seja, repostas que significam os mecanismos de defesa do “ego”. A primeira e a terceira área são mais representativas dos níveis de reações passivas, enquanto a segunda de reações ativas. É a partir da área volitiva que se origina a resposta cuja natureza, e intensidade dependem da integridade, da natureza e da duração do estímulo. Nem sempre a primeira área envolve uma resposta volitiva, pois depende da intensidade, da duração, da significação, e de outros fatores inerentes ao estímulo e ao ser receptor. Um estímulo que em uma pessoa pode desencadear um estado de pânico, numa outra pode, quando muito, gerar um estado de suave ansiedade, ou de insegurança sem que a própria pessoa consiga definir o objeto causal. Na verdade um estímulo por menor que seja ainda desencadeia algum tipo de ação volitiva, mas muitas vezes isto acontece em um nível muito suave que nem ao menos é notado. Outro ponto que merece ser mencionado diz respeito à origem de um estímulo. Nem sempre ele é associado à uma causa exterior, muitas vezes nasce no próprio ser como resultado de associações mentais com estados, de alguma forma, vivenciados antes, nesta vida; ou para os adeptos da reencarnação, em outras vidas; ou desde o momento primeira individuação; a partir da personalização. A resposta neste caso se faz sentir geralmente na área afetivo/emotiva. Na verdade sempre existe uma percepção objetiva ou subjetiva, mas isto pode ocorrer em um limiar que a pessoa não se dá conta, como acontece com a mais primária de todas, a angústia existencial, que, como já dissemos, é uma conseqüência da divisibilidade do um; pela perda da certeza da unicidade do existir como “eu” e a admissão do estado mental ilusório do existir como “eu” e os “outros”. Trata-se do agente causal da angustia existencial (Psora Latente) que não é gerada pelo existir como unicidade, mas pela idéia ilusória de integrar um mundo constituído por miríades de competidores. Pela insegurança do existir em multiplicidade o indivíduo sente “consciente” ou “inconscientemente” um estado de inquietude primariamente caracterizado por uma sensação sutil, uma anormalidade indefinida, caracterizando um estado de ansiedade. Se o meio ambiente, ou psíquico, continuar injetando estímulos a ansiedade pode se transformar num estado de angústia, que pode gerar expressões de tristeza existencial, e indo mais profundamente atingir um estado de medo de existir. Estas reações, de início, ainda ocorrem com um estado indefinível, como algo sem causa aparente e a pessoa não oferece reações de defesa, ela apenas sofre. Somente quando os estímulos se intensificam mais é que a mente lança mão de alguns mecanismos bem elementares, em nível que não pode ser considerado como distúrbio de comportamento reprovável, ou menos ainda alguma doença mental. A isto a Psicologia chama de Mecanismo de Defesa do Ego, ou Mecanismos Hióicos de Defesa do Ego. Estes fazem parte da primeira área - afetivo/emotiva - é visam possibilitar a pessoa a conviver com aquilo que a ameaça. Para compensar a insegurança essencial, a mente lança mão de mecanismos psicológicos considerados bem simples, configurando aquilo que em Homeopatia é denominado de Sintomas Psóricos. Neste estágio ainda não há danos físicos, e nem psicológicos apreciáveis, e as respostas são muito singelas. São formas defensivas que de forma alguma têm por objectivo atingir outras pessoas, pelo que se pode dizer se tratar de uma maneira de se mostrar, de aparentar um estado de auto-afirmação através de representações no modo de ser. São características que visam impressionar, que visam individualidade se fazer notar, que visam a busca de compadecimentos. Por exemplo, o choro quando não é uma descarga de alguma pressão psicológica, é interna, é um meio de atrair a atenção e o compadecimento de outrem. São muitas as formas de atrair a atenções como meios de fortalecimento da individualidade. O orgulho pessoal, por exemplo, em sua expressão mais simples, é uma forma de expressar a auto-estima, sem se apresentar como um estado de prepotência daninha sobre os demais. A ambição no sentido de ter bens, de possuir “status” mas sem prejuízo de terceiros. No mesmo sentido, outras características como ambição, inveja, economia, usura, prudência, avidez, avareza - não dissipar bens para que não venha a se colocar na posição de inferioridade; ciúme com o que possui, medo de perder aquilo que julga lhe ser importante. Pode tender ao atrair a atenção como uma pessoa piadista, brincalhona, divertida, exibicionista, gaiata, sorridente, que assim procura sempre ser simpática e desejável. Até mesmo a vaidade corporal, o empenho em mostrar beleza física por diversos meios, o esmero no vestir, no uso de cosméticos e de tantas outras coisas nesse gênero. Poderemos dizer que esses mecanismos são em grande número, mas de um nível que não prejudica aos “outros”. Não são projetivos, mas sim são estados passivos, ou sejam, formas de apresentações pessoais. Nos citados casos a área volitiva - vontade - só é mobilizada no sentido passivo, como formas de demonstração de condições que fortifiquem a individualidade. Até mesmo a chamada vaidade feminina, como a elegância no vestir, as maquiagens, e tantas outras coisas essencialmente refletem uma forma de compensação para a insegurança essencial, uma forma da individualidade se fazer notada e, como tal, atrair um emprego, um esposo de não perde-los. A vontade comanda isto, mas vemos com tanta freqüência que uma mulher toda engalanada, depois que se casa, sentindo-se segura, bem cedo muda totalmente, deixa de cuidar da aparência pessoal, isto porque já tendo um lar com filhos e outros elementos inerentes à família já não têm o temor da perda. Antes a volição atuava no sentido “plus” para depois atuar no sentido “minus”. Citamos uma série de sintomas que se examinados são ocorrências apenas em nível afetivo/emotivo, mas esses mesmos sintomas podem ter conotação bem diferente como veremos na palestra seguinte.
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Escrito por José Laércio do Egito
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Sáb, 13 de Fevereiro de 2010 17:30 |
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MECANISMO DEFENSIVOS DO EU “NÃO DECLARES QUE AS ESTRELAS ESTÃO MORTAS SÓ PORQUE O CÉU ESTÁ NUBLADO” PROVÉRBIO ÁRABE 2 0 0 0 - 3 3 5 3 TEMA 1.285  No Mundo Imanente a Consciência também é chamada de Força Vital, que na verdade não diz respeito apenas aos seres vivos. A própria ciência até hoje não conseguiu uma forma de definir o que é um ser vivo, onde se situa o limite entre aquilo que chamam de ser vivo e de ser inanimado. Na verdade isto acontece porque a vida é a própria consciência, sendo assim tudo que tem vida tem consciência, mas a maneira como ela se apresenta difere de coisa para coisa. Nesta palestra vamos enfatizar os seres biológicos, individuações da consciência, exatamente onde a Força vital, que na verdade deve ser considerada como Principio Vital, mais claramente se faz sentir. Existindo no mundo imanente, em decorrência da natureza fragmentária peculiar, o ser individuado em geral, e especialmente o personalizado, se julga isolado. Nesta condição ele interage com o meio em que vive. Todas as coisas em geral interagem, mas em especial os seres individuados. A fig. 1 representa o ser existindo no universo dualisticamente, isto é, sem se dar conta de que essa dualidade é ilusória. Não percebe que o mundo imanente é uma “realidade virtual” mas, conforme descrevemos na palestra 1276, não é por ser uma algo virtual isto não quer dizer que aquele que está dentro do programa não possa sofrer vários tipos de injúrias, tanto de natureza psíquica quanto física. O ser em nível psico-emocional está constantemente sendo alvejado por inúmeros fatores externos no sentido dualístico, conforme a fig. 1. Figura 1 São fatores que não lesionam fisicamente, mas que violam a integridade do “eu” defendido pela muralha do “ego”. O ego funciona como um escudo que procura reter as injúrias psíquicas que possam ameaçar o “eu”. Este pode perceber que está sendo alvejado, mas muitas vezes isto se passa de forma que a pessoa não percebe, mas mesmo assim ocorrem conseqüências sobre a integridade do eu. A mente constrói um sistema de mecanismos defensivos, desde simples modos de agir até outros altamente destrutivos. Depois estudaremos quais esses mecanismos. Primeiramente precisamos aclarar alguns pontos importantes para uma boa compreensão desses mecanismos. Quando algo é direcionado ao ser alguns tipos de reações podem ocorrer. O agente pode ou não determinar reações no ser, conforme no gráfico A.  Quando um agente quer seja energético-material quer psíquico-emocional, atinge um ser, três condições podem resultar: O agente ou a ação beneficia o organismo (alimento, por exemplo); ou é totalmente inerte indiferente, coisa alguma resulta dessa ação; ou então o agente causa algum tipo de prejuízo. Quando isto acontece, ele reage ou não reage. Quando reage o faz ou tentando eliminar o agente, ou neutralizando-o, ou bloqueando-o (localizando) como numa tentativa de fazer cessar o efeito danoso. Neste processo entra em ação os chamados “mecanismos defensivos do organismo” que compreende a defesa imunológica, a fagocitose, a cicatrização, as exonerações, etc. e no campo emocional as reações defensivas, na maioria das vezes reações agressivo-destrutivas. O que surpreende é que a medicina tradicional considera muitas das reações defensivas como doenças, no que difere da homeopática. Na verdade somente quando ocorre um dano, pela impossibilidade do organismo fazer uso de um dos mencionados sistemas defensivos, é que se pode falar em doença. Figura 2 Figura 3 Na fig. 2 estão representada a fonte mais ampla de fatores que atingem o organismo. Os seres estão constantemente sendo atingidos por elementos veiculados pelo ar, pela água, por drogas, por medicamentos, por sons, radiações, traumatismos físicos dos mais diferentes tipos, e muitos outros fatores. Todos esses fatores são recebidos pelo organismo de forma específica e nele pode ocorrer um dos tipos de efeito assinalados no gráfico A. O organismo, dependendo de vários fatores, poderá responder ou não, ou seja, ele poderá se defender ou não. O tipo mais adequado de resposta consiste na eliminação do agente causal. Essa eliminação pode ser integral, ou parcial, pode ser do próprio agente ou de partes dele resultante de relações de decomposições fisico-químicas. A fig. 3 mostra as principais formas de o organismo expulsar o agente causal, ou produtos produzidos por ele. Assim é que entram em ação aqueles mecanismos chamados pela homeopatia de Reações Miasmáticas. Por isso é que uma diarréia, um fluxo catarral, um aumento da diurese, da sudorese, hipertermia, etc. não devem ser considerados a doença e sim a reação de defesa, pois tais são efeitos e não causas. O que tem que ser cuidado é a causa, deve ser combatido o agente causador e não a reação oferecida pelo organismo. Desde que haja um agente em ação, uma dessas respostas pode ser aceita como algo benéfico. Nem sempre o organismo pode se defender, por causas constitucionais, por danos nos sistemas de eliminação, por bloqueios químico-medicamentosos, e outras razões. Esse mesmo panorama acontece na área psíquica, o ser oferece reações que muitas vezes são considerados defeitos, ou mesmo doenças psicológicas, quando na verdade são apenas reações defensivas da integridade do “eu”. Tudo isto só ocorre porque o ser está existindo como uma “realidade virtual”.O Mundo Imanente é a realidade virtual do Transcendente. Desde o momento em que ele souber como sair do programa da Imanência todos os sofrimentos desaparecem, é quando ele percebe o “game over” do existir no mundo da descontinuidade. Esse é um objetivo que ultrapassa tudo o que a Psicologia, Religiões e a Medicina podem oferecer, mas certamente isto não é uma tarefa fácil porque a ilusão do “eu” e “eles” é algo muito sólido, algo muito estruturado, a um ponto tal que a pessoa não sabe como sair do programa existencial da imanência. |
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Escrito por José Laércio do Egito
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Sáb, 13 de Fevereiro de 2010 17:04 |
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A ESTRUTURAÇÃO DO EGO “A COISA MAIS DIFÍCIL PARA O HOMEM É O CONHECIMENTO DE SI PRÓPRIO.” PROVÉRBIO ÁRABE 2 0 0 0 - 3 3 5 3 TEMA 1.283  Na palestra anterior vimos que na individuação se dá o início da estruturação do “ego” mas, por certo, é na fase de personalização que esse processo se intensifica acentuadamente. A partir do momento que o Ser não mais de dá conta de que é uma só, de que ela representa um “eu” dentre muitos outros, então surge o impulso de autoproteção dessa individualidade. A perda da capacidade de do ser se sentir parte da unicidade motiva-o a se proteger, a se encastelar como “eu” dando assim surgimento ao “ego”. O “ego” basicamente um estado mental que pode ser caracterizado como o “Eu único fracionado”. O fracionamento é a única forma possível de existir na Imanência. que é regida por certos princípios, chamados de Princípios Herméticos, sendo um deles o da descontinuidade.Não tem sentido o mundo sem partes separadas, mesmo que isto seja em nível relativo. Sem fracionamento não existiriam coisas e nem individualidades distintas. Tudo que existe como parte integrante do mundo imanente se apresenta fragmentariamente, até mesmo a consciência Una. Na verdade esta não se fragmenta, embora se nos pareça que sim. Isto acontece porque ela não pode se manifestar sozinha, para isto ela requer um suporte. Os suportes, em que a consciência se faz sentir, são as coisas que resultam da fragmentação parcial do Uno. A consciência cria as coisas como Prakriti e então ela neles se manifesta. Se não houvesse as coisas como a consciência poderia se fazer presente? A Consciência sempre se manifesta em algo, desde uma simples partícula a uma galáxia ou algo mais. O que muda é a forma de manifestação, é natural que o modo de manifestação em um inseto é diferente da que se manifesta em um ser humano, em um planeta e assim por diante. A consciência é a mesma, porém o meio de expressão é que muda, mesmo assim a origem dos meios de expressão está na consciência em nível transcendente. ( Fig. 1 Tema 1279) A Consciência se manifesta em todas as coisas que existem, entre elas nos chamados seres vivos em gera,l e no ser humano em particular. Expressa no ser humano, a Consciência limitada, não podendo se dar conta de que é ilimitada e transcendental, procura reforçar sua suposta posição, procura reforçar os elementos de Prakriti em que se manifesta. Ela desenvolve o conceito de uma existência separada, percebe Prakriti como “os outros” diferentes de si, como as “outras coisas”, como algo independente de si mesma, quando na verdade isto é uma ilusão, uma peça pregada pela mente limitada, desde que tanto Prakriti quanto Purucha são uma coisa só, ou seja, forma de expressão da Consciência Transcendental. Para a consciência se manifestar como pessoa ela tem que assumir uma forma física, geralmente densa. Em essência a alma é Puruska - consciência limitada - que, para se expressar no mundo denso utiliza-se de uma forma física adequada constituída pelos elementos de Prakriti estruturados como corpo. Sendo este algo limitado, naturalmente a consciência só pode se apresentar também limitadamente, segundo a capacidade e eficiência desse corpo. Na Transcendência aquilo que era Uno e Ilimitado, na Imanência tende a se sentir limitado e só, então ele busca criar uma estrutura, não apenas física, mas, em especial, psicológica. A mente pouco clara tende a associar a idéia de que ela e o corpo físico são uma mesma unidade; de ser uma estrutura dotada de atributos mentais como razão, inteligência, sentimentos, memória, etc. Não se apercebe de que tudo isto não é diretamente um atributo do corpo - Prakriti - e sim da própria consciência - Purucha. Não vê que o corpo é apenas o cenário em que a consciência se dá a conhecer - Manifestação de Purucha em Prakriti. Esta é a causa primeira da insegurança existencial, ou como refere a Doutrina da Homeopatia, a Psora Latente, causa potencial de todos as doenças. Na aceitação de que é algo separado, um “eu” independente dos demais “eus” a mente cria conceitos de ameaças, pois se considera vulnerável e como tal tem que defender a sua integridade. A fim de se sentir segura a mente vai estruturando um halo defensivo contra um mundo que a ameaça e vai ampliando essa estrutura formando assim o ego. No inicio antes da creação era consciência pura ilimitada, com a criação da imanência se torna consciência limitada. Toda complicação existencial começa a partir do momento em que o espírito erroneamente se dá conta da existência de um “eu” separado, exatamente quando surge ilusão do “eu individualizado”. Isto na linguagem da filosofia místico-religiosa equivale ao estabelecimento da alma, do espírito humano. Nas circunstâncias descritas, o ser humano, como expressão limitada de consciência, busca proteger a idéia da individualidade criada por ela mesma. Desenvolve então todo um sistema de reforço para a proteção dessa individualidade, para a conservação da integridade do “eu”. Por meio de inúmeros artifícios ela constrói um sistema protetor que vai constituir aquilo que se chama de “ego”. A partir desta etapa o ser já deixou de se sentir Um e passou a se sentir como um “eu” diferente do “ele”, ignorando que o “ele” é o próprio “eu” ilusoriamente fragmentado. Daí o ser se torna uma entidade individual e passa a experimentar o mundo sob a forma dualista, em vez de experimentá-lo como a real forma Unista. Baseado nesse erro essencial, com o passar do tempo, vai sendo criando uma estrutura cada vez mais densa, com múltiplos aspectos, que é o “ego”. A mente limitada, então, cria inúmeras formas, assume posições, elabora coisas, se apossa de coisas, etc. tudo isto visando à proteção do “ego”. A psicologia enumera uma série de mecanismos de proteção do ego, de fórmulas através dos quais a pessoa pode ampliar a autoconfiança, mas o faz através do reforço desses mecanismos apenas. Assim, amplia a descontinuidade, aumenta a separação, relega a verdadeira natureza do ser a um plano de inexistência, não importando com a problemática dos demais. O que importa é que a pessoa se sinta bem independente dos demais. Trata-se de um sistema altamente egóico, pois o que importa é a “parte”, a pessoa, que ela própria acredita existir como entidade separada da Natureza Única. Isto não é muito diferente do que estabelecem as religiões. Elas também agem protegendo a integridade do “eu” através do “ego”, mas de um modo diferente daquele instituído pela psicologia, pois consideram o “outro”, mas acrescentando um componente que chamam de altruísmo. Como disse Jesus “Amai ao teu próximo” essa expressão tem uma conotação plenamente dualista, diferindo da segunda parte que diz “como a ti mesmo” cuja conotação é unista. Mesmo considerando o altruísmo, as religiões pregam o dualismo, pregam a separação, afastando a pessoa da Realidade Única, tirando-a do caminho da libertação e orientando-a para o alvo da acomodação. Grande fonte de sofrimentos é a insegurança existencial, o sentir-se um “eu” desprotegido, vulnerável por todos dos lados. Isto faz com que o ser de muitos modos tente proteger a pseudo-idéia do “eu” individual, fortificando o quanto pode as qualidades que caracterizam o “ego”. O sentir o “eu” desprotegido gera a grande ansiedade existencial que é a causa da grande confusão vivenciada pelos seres humanos. Na tentativa de minorar tal situação a pessoa tenta se defender através de mecanismos psicológicos diversos que serão estudados nas próximas palestras.  |
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