José Laércio do Egito

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A INDIVIDUAÇÃO Imprimir E-mail
Escrito por José Laércio do Egito   
Sáb, 13 de Fevereiro de 2010 16:52

A INDIVIDUAÇÃO


“UMA LONGA VIAGEM SEMPRE

COMEÇA COM UM PASSO”

PROVÉRBIO CHINÊS

 


2 0 0 0  -  3 3 5 3

TEMA 1.282

 

 

Na palestra precedente vimos que a Mente Cósmica isola um tanto de Si constituindo-se assim a mente individual, e depois a “personal”. Quando a Mente Ilimitada e única se vivencia como um ser independente este se sente sozinho, isolado do Todo, limitado, e conseqüentemente paira sobre Si um estado de insegurança. Esse estado gera angústia conhecida pelo nome de “angustia existencial”, aquele estado é semelhante ao de Adão que perdeu o Paraíso.  A consciência deixa de ser clara e ilimitada para ser limitada e opaca. A Consciência Cósmica ao se limitar Ela deixa de se sentir como um Todo, e passa a se sentir como parte, considera-se um “eu” e ilusoriamente aceitando a existência de outros “eus”.

Sentindo-se fazer parte de um mundo em que ele acredita existir e onde ele é apenas um “eu” entre muitos outros “eus” é natural que ocorra a manifestação de um estado de “insegurança existencial” ante o que ele sente a necessidade de estabelecer mecanismos de defesa para a conservação da integridade do “eu”.

Esta fase que descrevemos corresponde exatamente à da Manifestação da Primeira Luz. Vamos voltar a uma analogia que fizemos em algumas palestras anteriores em que comparamos o Mundo Imanente com um videogame. Então, podemos dizer que ao serem escolhidas as cenas para compor o jogo que vivenciamos (que pode até ser denominado de “A História do Mundo Imanente”), a Consciência Ilimitada se limitou, e assim a “Luz Infinita” se manifestou limitadamente como “Primeira Luz” que se polarizou, formando-se, uma Trindade (Trimûrti).

No mencionado estágio, a Consciência Cósmica limitou-se em todos os sentidos presentes neste mundo (jogo escolhido) e tudo se polarizou. Na Primeira manifestação estava contido o potencial de tudo quanto há, mas já de forma limitada e apta a se polarizar. Todos os elementos constitutivos presentes na Primeira Luz se polarizaram. Assim se pode dizer que A primeira Luz se manifestou de forma trina.

Segurança e insegurança existencial são condições opostas da polarização. A segurança existencial constitui um dos pólos e a insegurança o oposto. Tudo só se manifesta pelos opostos (polaridade) e assim sendo podemos dizer a “segurança” como tal, se manifesta num pólo e como “insegurança” no pólo oposto.

Ao se manifestar, a “Consciência” o faz limitadamente, mas isto não indica que parte da Sua natureza fique na Transcendência. Na verdade todo o seu potencial na Transcendência permanece na Imanência apenas manifestando-se de forma limitada.

Se a certeza de algo é um dos pólos, a incerteza é o pólo oposto. A certeza da segurança constitui um dos pólos a incerteza, o outro. Resumindo: Num pólo a segurança existencial e no outro a insegurança existencial.

Todas as expressões existentes no mundo são oriundas de Binah (fig.1) como já foi estudado em diversas palestras. O “raio criador”, também chamado de “relâmpago” pelos cabalistas, tem origem a partir de Binah, ou seja, do pólo “negativo”. 

Como tudo se manifesta pela polarização, então a consciência limitada pela creação sempre se defronta com a dualidade do ser e do não ser algo possível. Assim ao nível de Kether ele tem os potenciais do “se sentir seguro” e do não se sentir seguro; num pólo é uma coisa e no outro o oposto. As polaridades podem ser chamadas de polaridade do “ser” (positiva) e do não ser (negativa).

 

Figura  1

 Como todos dos desdobramentos da natureza partem da polaridade chamada de negativa, conforme já estudamos em diversas palestras, e que na “Árvore da Vida” está representada pela projeção do “Raio Criador”, ou como a Cabala o “Relâmpago”. Vide fig. 2

Figura  2

Pela “Árvore da Vida” desde a Tríade Superior em Binah ela já está diante do dilema do “ser uma” e do “ser parte de uma multiplicidade”. Mas, em nível de Binah ela já vivencia intensamente a dualidade da imanência. Um pólo é a certeza do uno e o outro a incerteza; num pólo a certeza da existência do “eu” único, e no outro a ilusão dos múltiplos “eus”. Podemos dizer então haver a desobediência da consciência em nível de Binah optar por aceitar a dualidade como verdade e aceitar a ilusão da dualidade (multiplicidade). A partir daí tudo o que derivar de Binah será baseado na ilusão e não na realidade, a começar com a própria existência do “eu” e dos “outros”. Surge assim a ilusão da multiplicidade do “eu” e de tudo o que estrutura a creação.      

Ao sair do estado de unicidade a consciência se limita, se dualiza (pluraliza) e isto significa a individualização. Vemos que esta condição gerou um mundo totalmente ilusório, mas que a Mente limitada tem como verdadeira. Vemos assim que toda a creação se tornou uma ilusão, um erro de avaliação por parte da Mente limitada. Surgiu a ilusão do dualismo. Antes só existia “um” conceito real, depois ocorre a aceitação do “muitos” (conceito ilusório).

Uma das primeiras conseqüências disso é que o ser (espírito) deixa de se sentir “um só” - abandono da unicidade - para se sentir um no meio de muitos - dualidade. Esta condição é exatamente o que caracteriza o ser como individualidade. No sentido do desenvolvimento espiritual é o ponto de origem da “individualização” que, numa etapa posterior, vai assumir o estado de “personalização”.

Na escala humana, há uma primeira fase em que ocorre a individualização quando então ocorre a ilusão de um “eu” separado dos “outros”, embora que esse “eu” ainda esteja pouco elaborado como individualidade. Um animal placentário, por exemplo, sente que há o “ele” e há o “outro”, mas não apresenta as características da constituição de uma pessoa, pois ainda lhe falta a ilusão da auto-imagem, ou seja, a elaboração do “ego”. Na verdade já existe nele a angustia existencial que é expressa pelo instinto de conservação da espécie, da defesa, da competição, mas tudo isto apenas como instinto e não como racionalidade.

Estabelecido a individualização surge a “angustia existencial”, o “medo” de passar da condição de “ser” para a de “não ser”, mas já de uma forma diferente, já não se tratando apenas de um instinto, mas sim de um estado de racionalidade em que há uma intenção declarada, um propósito. A consciência se dá conta de que algo tem que ser feito ante as distintas situações vivenciais afim de que o “eu”, a individualidade, seja preservada.

Eis o primeiro esboço do “ego” é a consciência de si mesmo com a necessidade de autopreservação.

 

 
O SUGIMENTO DO EGO Imprimir E-mail
Escrito por José Laércio do Egito   
Sáb, 13 de Fevereiro de 2010 16:29

O SURGIMENTO DO EGO

 

O NIRVANA É O FIM DA ILUSÃO. O DESPERTAR

DO SONHO DO SAMSARA


2000 - 3353

TEMA 1.281


         Podemos dizer que entre as ilusões que existem, o “ego” se não ocupar o primeiro lugar com certeza ele ocupa um lugar dos mais destacados. É algo que se nos apresenta como uma coisa tremendamente real, sólida, mas que na realidade não passa de conceitos da própria individuação.

A personalização, o processo que faz com que o ser se dê conta de si mesmo, é constituído basicamente pelo “ego”. É uma conseqüência direta da natureza descontinua do universo imanente. A descontinuidade promove a separação entre aquilo que é em essência Uno. Nesta palestra procuraremos mostrar a inexistências do “ego” como algo real e que ele existe tão somente como uma condição da mente.

A pessoa procura se afirmar como ser procurando referenciais fora de si mesmo, ela sempre deseja provar a sua existência procurando pontos de referencia fora de si, e é isto o que a faz ela se sentir separada da unicidade.

Vimos em temas anteriores que a Consciência Cósmica no processo de “ver a si mesma” se projeta sob dois aspectos, um criando os “espelhos”, coisas limitadas e fragmentárias nas quais se manifesta e que compreende Prakriti. O outro sob o aspecto Purucha como consciência limitada que compreende o tomar consciência do mundo.

 

Figura 1

Purucha se vê, se manifesta através de Prakriti e esse processo, no tocante aos seres humanos, pode ser considerado a primeira etapa que compreende a individuação.

Quando direcionado no sentido dos chamados seres vivos, essa etapa também está presente em mitos animais. Eles são individuados, mas não personificados. Um animal não pensa assim: Eu sou, mas ele também sente não ser o outro. Muitos seres vivos, não placentários vivem em grupos imensos como se fosse uma só individualidade. É comum enxames de insetos voando aos milhares numa coordenação perfeita, sem se atropelarem. Nuvens de andorinhas revoam em conjunto num imenso bailado coletivo sem que haja qualquer acidente entre elas. Isto acontece porque ainda não há a individuação, é um estado que podemos chamar de pré-individuação.

A Teosofia refere-se a alma grupal, exatamente aquela que existe nos referidos seres, por isto eles mesmo se apresentando em grupos ainda assim agem como se fosse um só.

Nessa fase o ser não se dá conta de si, não tem como dizer “eu sou”. O passo seguinte do desenvolvimento espiritual é o da individuação. Nessa etapa o ser pode viver em grupo, em colônias, mas cada um já tem uma individualidade distinta. Um leão, uma zebra, um boi, e muitos outros animais, tendem a viver em manadas, mas neles não se faz sentir uma coordenação única de movimentos. Não há uma coordenação única como acontece com bandos de aves ou nuvens de insetos, que faz parecer que um enxame se comporte como se fosse uma só unidade.

Geralmente são animais que aplacentários (que não parem) os que se agrupam com uma coordenação única. Por outro lado os placentários (que parem) podem tender a viverem como coletividades, em grupos, em bandos, mas tem individualidade própria. Se um animal se desgarra do grupo ele pode viver independentemente. Apenas eles não têm uma auto-imagem, o que significa não ter surgido neles o desenvolvimento do “ego”.

Na fase seguinte (fig.1) é que surge a personificação, o ser se considera uma pessoa, é quando surge o conceito do “eu sou”. É esta a etapa em que se inicia o desenvolvimento do “ego”. Na verdade o “eu sou” é tão somente uma manifestação do “ego”. Sem o “ego” não existe o “eu sou” e vice versa. É ai que o processo se separação começa a se intensificar, o ponto a partir do qual começa o surgimento da ilusão do “ego”, e da auto-estima.

Vemos que na escalada do samsara, de inicio o espírito ainda não se manifestou como tal, vide fig. 2 ele é apenas consciência. 

 

Figura 2

Purucha manifestando-se em Prakriti configura a individuação, estado em que ainda não há estruturações egóicas. Já na fase seguinte (fig.1) há estruturação do “ego”, manifestado como o “eu sou eu”.

No nível da Transcendência há total ignorância dos atributos do “ego”. Como Purucha a consciência já está no nível de imanência, ainda pouco dualizada, pouco fragmentada, portanto num estado ainda bem ligado à Consciência Primordial.

Prakriti concorre com todos os elementos sobre os quais vai se estruturar o “ego”. Prakriti é quem gera as coisas que povoam o universo, e são tais estas que dão lugar aos apegos que condicionam o sentido do “meu”, que faz com que o ser considere “eu” e o “outro”. É a primeira fase que ele dá os primeiros passos no sentido da dualidade. Uma pessoa é o auto-reconhecimento de si como forma de existência separada das demais e de tudo que constitui o mundo imanente. Sente ser uma presença no mundo imanente, mas não sente mais que é parte integrante dele.

A partir do momento em que o ser se torna ciente do “eu” ele marca o nascimento do “ego” surge o “eu” e os “outros”. É quando a natureza dualística do mundo imanente se faz presente, cristaliza-se, o ser se julga único, e então ele já está mergulhado na ilusão do samsâra.

Na Transcendência, no “é” (Eterno Agora) estão todos os “eus”, todas as estórias e histórias, todos os universos. A Mente Cósmica se focaliza num daqueles eus, então o vivencia. Em vez de estar focalizado nos infinitos “eus” Ela se fixa neles separadamente, como se focalizasse um deles. Quando ela deixa de focalizar conjuntamente todos os “eus” e atenta para um deles, então sta dado o primeiro passo para a individuação, faltando apenas assumir uma forma, faltando o aspecto purucha se manifestar no aspecto prakriti. Ao acontecer assim a dualidade está estabelecida, o eu deixa de ser único para ser múltiplo. Nesta condição nasce o sentido do “eu” e os “outros”. Numa primeira fase a individuação ainda não construiu o “ego”, mas logo este processo começa a se configurar. Desde que o “eu” é visto separadamente, então logo ele tenta de auto-afirmar como tal, pois já não tem mais a clareza de consciência indicando que todos são Um. O ser se sente só e como tal tenta de proteger de várias formas, o que equivale ao fortalecimento e crescimento do “ego”.

Quando o ser toma consciência de si como “eu sou” ele se personifica, e quando ele deixa de ser individuo para ser pessoa.

 

 

 
O EGOÍSMO Imprimir E-mail
Escrito por José Laércio do Egito   
Sáb, 13 de Fevereiro de 2010 15:27

O   E G O I S M O

 

“EU” É PALAVRA  BEM PEQUENINA PARA

CONTER O NOSSO  EGOÍSMO QUE  É TÃO

GRANDE.

MADAME  AMIEL-LAPEYRE


 


TEMA 0.330

 

            Na palestra anterior abordamos o tema que diz respeito ao Egoísmo e nesta palestra  mostraremos mais alguns ângulos do problema.

            Pelo esquema da “Arvore da Vida” mostramos em temas anteriores que existem duas manifestações da personalidade, uma aparente, deformada e incompleta, representada por YESOD e uma outra autêntica, verdadeira, completa, não deformada, representada por TIPHERET.

            Quando falamos sobre a manifestação da consciência nos corpos intermediários afirmamos que  ela se manifesta no nível mais inferior da “árvore”, isto é,  um espirito quando encarnado a consciência se manifesta ao nível do corpo físico, ao nível de Malkut. O corpo intermediário mais denso da seqüência sétupla é o que sedia a consciência. Sendo assim o espírito encarnado está centralizado na tríade inferior por isto a imagem que ele tem de si é a de YESOD e não a de TIPHERET. Sendo assim, via de regra, nem ao menos se pode ter uma verdadeira imagem de uma pessoa, nem mesmo a própria pessoa tem sequer 2% de conhecimento sobre si mesma.

            É comum escutarmos uma pessoa dizer assim: “Eu me conheço”. Ledo engano, tal pessoa nem ao menos conhece que nada conhece a respeito de si e muito menos a respeito dos outros e do mundo. Isto é uma decorrência, a começar pela terrível limitação dos meios de detecção do mundo, desde que este é percebido apenas pelos 5 sentidos físicos, pontos de percepção de algumas faixas de vibração, apenas um mínimo do “TECLADO CÓSMICO DAS VIBRAÇÕES” é detectado. A quase totalidade de tudo aquilo que se passa em torno de nós a pessoa simplesmente ignora.

            Mais uma vez vale ser lembrado a fábula dos cegos e do elefante. Para cada um o mundo é aquilo que ele detecta. O cego a quem foi mostrado apenas a pata do elefante o definiu como sendo o animal semelhante ao tronco de uma árvore, ao que foi mostrado a orelha, como sendo um leque e assim por diante. Cada um entendeu o elefante de forma diferente segundo a parte que lhe fora dado examinar.

            Quando se examina algo em nível de YESOD apenas se percebe uma parte muito restrita daquilo que é examinado, por isto somente os espíritos mais desenvolvidos é que percebem um tanto além dos níveis  sensoriais, pois eles contam com um outro sentido mais amplo que é  a COMPREENSÃO.

            O espirito encarnado, portanto, vive centrado em YESOD, acham que o mundo e ele próprio é apenas aquilo que percebem através dos sentidos e dos instrumentos científicos. Quando examina a eles próprios vêem YESOD apenas mas julgam ver tudo. Assim julga ser ele uma imagem limitada e deformada que é YESOD quando na realidade ele é TIPHERET.

 

   YESOD é  o EGO  e TIPHERETH é o EU.

            A pessoa constantemente está ligada a YESOD e praticamente desconhece TIPHERET. Quase todos os mecanismos de defesa do indivíduo, na realidade, são mecanismo de defesa do EGO e não do EU e são exatamente os mecanismos de defesa do EGO  que constituem  o EGOÍSMO.

            Dissemos na palestra anterior que o egoísmo não é essencialmente mau, como nada no universo o é desde que em todas as coisas e condições está sempre presente o princípio da bipolaridade, representada pelo símbolo do TÃO.

            Como o espírito encarnado vive no mundo da matéria densa, como na Árvore da Vida ele ocupa exatamente o sephirot MALKUT e sendo o EGO = YESOD necessariamente ele não pode de forma alguma prescindir do egoísmo. Tornar-se totalmente isento de egoísmo seria retirar YE­SOD, e portanto tornar a “árvore da vida” incompleta, desfazer uma oitava da escala de vibrações e isto tornaria a estrutura inviável. Uma estrutura com “arvore” incompleta é efêmera.

            Quando algo passa a se tornar uma “arvore” incompleta logo se faz sentir uma “força cósmica” que impulsiona a ser estabelecido uma nova condição de equilíbrio. Por isto é que um espirito desencarnado, portanto sem MALKUT, necessariamente volta a encarnar, volta a readquirir  MALKUT  para tornar a sua “arvore” integralmente restruturação.

            Na palestra anterior assinalamos que a individualidade é quem carateriza o ser. Queremos dizer que existe uma grande diferença entre individualismo  e  egoísmo. Individualismo é TIPHERET e egoísmo é YESOD.

            O que caracteriza  um espirito como uma individualidade é, como o próprio nome indica, o EU. O EU SOU  é que faz com que  uma Centelha Divina venha a se constituir um espirito. O espírito é uma setorização, uma delimitação de Deus. Como tal a individualidade  não é má. O que está sujeito a isso é o seu polo oposto que  se manifesta como aquilo que chamamos egoísmo. Mas, a pessoa ainda não pode prescindir do egoísmo enquanto estiver encarnada porque egoísmo é YESOD da “arvore” humana

Temos que ter em mente que  a chamada “queda dos anjos” deu origem à seqüência sétupla, isto é , formou uma “árvore”. Na realidade isto é fruto da imperfeição, resultado da  “queda” do espirito da sua condição divina. O egoísmo é, portanto, parte integrante da árvore da imperfeição humana.

            Somente com o aperfeiçoamento, com o desenvolvimento espiritual é que progressivamente o ser humano virá prescindindo do egoísmo,  eliminando YESOD  para se tornar apenas TIPHERET, mas quando tal acontecer então a sua oitava, isto é,  a sua “árvore” já será uma outra.

            Eliminar uma nota de uma oitava é claro que aquela oitava deixa de ser uma oitava, deixa de ser uma “árvore”, por isto é que tal condição é inviável.

            Por algum tempo uma “árvore” pode estar incompleta, mas podemos dizer que se levarmos em conta a relatividade do tempo podemos dizer que nem mesmo essa condição existe. Dentro do relativo, portanto durante  certo limite variável de tempo, uma árvore pode estar incompleta mas isto faz com que  logo a oitava seja recomposta. Há uma força inerente à lei das vibrações, à lei que estabelece que tudo seja composto por oitavas ( sete notas, isto é, sete tons e dois semitons perfazendo nove).

            No quadro seguinte  ( fig. 1 ) está graficamente representado o que ocorre quando uma estrutura está incompleta. Ela como não pode existir desta forma é impulsionada a se acoplar á uma outra ou simplesmente passar para um outro plano, ou seja se constituir uma “árvore “de um outro nível.[1].

            O que estamos expondo é algo muito sério, analisando-se as implicações inerentes podemos chegar ao entendimento das razoes da ligações e das interferências entre diferentes formas de existência do universo. Poderíamos dissertar sob este assunto mas ainda não achamos oportuno faze-lo.

            No Universo tudo está  unido, existem  ligações entre as coisas, não existe uma só coisa isolada.

 

Fig. 1

 

 

            Em decorrência da “queda” o espirito deixou de perceber a sua imagem como TIPHERET e  passou a percebê-la como YESOD, portanto é válido se dizer que, de uma determinada maneira, o EU passou a se manifestar como EGO, o ilimitado se tornou limitado, o  continuo se tornou descontinuo.

            EGOÍSMO, como o próprio nome diz, é função do EGO, portanto é parte do indivíduo. Até que o ser transforme o EGO e  se torne apenas EU por certo ele não estará livre do egoísmo e este terá alguma significação no seu desenvolvimento espiritual.

 

É o individualismo  QUEM caracteriza o EU, e o EGO  é a polaridade oposta do EU.

 

            Pelo que expomos, pode-se ver que não é possível  se anular o EGO mas sim transforma-lo no verdadeiro EU, ou seja trazê-lo de uma a polaridade à outra.

            Torna-se evidente que a eliminação do EGO eqüivale à anulação da personalidade e é fácil, então, se entender que isto é ainda impossível de ocorrer com a espécie humana tem precisamente como base o indivíduo.

 



[1] Dentro de cada nota de uma oitava existe uma outra oitava e assim sucessivamente, portanto quando uma oitava se torna incompleta ela se acopla à uma outra oitava no mesmo plano ou pode passar a fazer parte da oitava de uma outra nota.

 
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