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Escrito por José Laércio do Egito
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Sáb, 13 de Fevereiro de 2010 18:14 |
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EGO – A PRESERVAÇÃO DA INDIVIDUALIDADE TUDO QUANTO HÁ SÓ REALMENTE EXISTE NO UM. 2 0 0 6 - 3 3 5 9 TEMA 1.650 No desenvolvimento dos seres há uma etapa que é a da individuação seguida de personalização quando então o ser assume o auto-conceito. É exatamente na personalização que se faz sentir o ego. Um animal não tem ego, muitos dizem que sim porque ele já tem um sentido de auto-preservação. Acreditamos que sim, mesmo num ser dos mais elementares na escala biológica já se notam reflexos de auto-defesa e isso é, em tese, é uma forma de auto-preservação, portanto um esboço do ego; algo que representa uma forma de defesa contra a extinção do estado de ser. Um ser só pode ser se conservar com tal – e não como Ser – se preservar a individualidade. O sentido de preservação só se define plenamente ao nível da personalização, aquele em que o ser toma ciência de si, e posso dizer “eu sou”. Estabelecida a individualidade o ser a partir daí tem que defender a todo custo esse sentimento, o sentimento do “eu sou”, consequentemente do “é meu”. Para isso ele lança mão de incontáveis mecanismos de defesa que são chamados de “ego”. Assim nascem os mecanismos de defesa da individualidade, o ego. Diz Castaneda, citando Dom Juan: “Tendo perdido a esperança de algum dia voltarà fonte de tudo, o homem comum busca conforto em seu egoísmo” Como fruto da ignorância da natureza una, ocorre o sentimento de separação, do que resulta a idéia de “isso é meu” e “isso é teu”. Todos os chamados males humanos têm como origem essa a idéia de que existe uma separação – seres – e consequentemente a necessidade da preservação. Portanto essa separação é que dá origem a tudo àquilo que chamam de natureza satânica. Todos os atos humanos considerados pecaminosos – satânicos – indubitavelmente são frutos do ego, são mecanismos de proteção do ego. Assim são consideradas obras do demônio muitas qualidades negativas, sendo as principais: ciúme, o orgulho, a inveja; além do apego com todas as suas conseqüências. Para que a separação seja mantida tem que haver fortes meio de proteção, de isolamento. Assim, indubitavelmente o ego tem que ser forte e para isso surgem o desejo de conquista, as lutas pelo poder, consequentemente as guerras, e tudo o mais que compõe a natureza considerada negativa dos seres. O que é o ciúme, por exemplo? – O desejo de não perder aquilo que possui, de reter para si, de manter para o eu e não deixar que o tu se aposse. Sem essa separação ele não pode existir porque tudo é do eu. O ciúme está diretamente ligado ao egoísmo, que reflete o desejo da não perda. Mas, se for bem analisada tal perda é uma ilusão, porque coisa alguma é real no Mundo Imanente. O egoísta é um almofariz de ilusão. Objectivo, a prevalência do eu sobre o tu é uma fantasia da mente, mas que é efetivamente mantida no Mundo Imanente. Mas manter a separação, e tudo o que mantém a separação, é mesmo que adquirir algo de um mercador de ilusão, pois é alimentar a ilusão da separatividade. Deus não pode ter ciúme, porque não existe de quem te-lo; pela condição de Único Ele não tem rival. Não pode haver ciúme sem que haja rival. Por esse raciocínio chegamos à conclusão de que ciúme não é de Deus, não diz respeito à Unicidade e sim a diversidade. Pelo Princípio da Polaridade, se algo não pertence a um pólo inexoravelmente pertence ao outro, desde que não existe um terceiro. Portanto se ciúme não é de Deus, logo ele deve ser do pólo oposto, de Satanás. Deus não tem ciúme porque Ele não tem medo de perder por não ter como perder para alguém se este não existe. Ciúme tem como objeto a algo que é considerado do outro, mas como isso é possível em nível de Deus se não existe outro além Dele? Indaga-se então: Perder para quem se verdadeiramente só existe o Ele. Por meio dessas conjecturas, facilmente podemos ver que ciúme é do lado da divisibilidade e não da unicidade – Deus –. Se ele não é do pólo de Deus tem que ser do seu oposto, de satanás. O mesmo pode ser dito do orgulho e da inveja. Assim como acontece com referência ao ciúme, também a inveja, reflete separatividade, reflete meios de atuação do ego, portanto aquilo que é do Ser de todos passe a ser de uma fração. Isso reflete a condição satânica. Deus sendo único não pode ter inveja. Inveja de quem? – Logo a inveja tem que ser do seu oposto. A inveja é, portanto, o oposto do ciúme; ciúme é o desejo de querer aquilo que julga não ser seu, enquanto a inveja é o sentimento de ter aquilo que considera não ser seu; ser de outro, ou seja, uma demonstração do empenho do eu vir a ter o que é do tu. Isso quer dizer: o teu vir a ser incorporado ao meu. O mesmo pode ser dito do apego e de todas as suas conseqüências. O apego até pode ser considerado como a raiz da quase totalidade daquilo que chamam de males. Como Deus pode ter apego se tudo é Dele. Apego envolve a possibilidade de perder para algo ou para alguém. E se não existe algo ou alguém além de Deus, então como pode existir apego? Se o apego não é manifestação direta de Deus, então tem que ser do oposto. A vingança é um aspecto do egoísmo, quando alguma coisa é tomada pelo tu, o eu, em seu aspecto ego reage. Se o ser nada tivesse a perder jamais ele teria do que se vingar. O Ser (Eu Maior) que tudo tem não perde coisa alguma e, sendo assim, não tendo perdas não tem do que se vingar. Por isso temos dito muitas vezes que um Deus vingativo, punitivo, não existe. Para haver punição tem que haver algum motivo que se prende a uma perda, quer ela seja material, quer sentimental, etc. Os seres por se julgarem separados têm ilusão de perda e é disso que pode ocorrer a vingança, que não deixa de ser uma forma de punição. Seguindo esse mesmo raciocínio se pode concluir que tudo aquilo que as religiões consideram pecado, coisas ou estados diabólicas, têm assentamento no ego. Sem o ego coisa alguma ligada à separação que mantém o ser afastado a do Ser, ou seja, o homem separado de Deus pode existir. Guerras, conquistas, lutas pela posse, traições, torturas, e miríades de frutos nefastos que delas resultam podem haver. Na natureza dos seres existe uma dupla polaridade, a demoníaca e a divina. A força demoníaca é a força de separação. Ela não existe “fora” da pessoa, é um aspecto dela mesma; enquanto a Força Divina é a de união que também reside nela. A de separação é quem gera os mecanismos do ego, é a que alimenta a sua preservação dando origem a um estado de ilusão. É ilusão porque realmente a separação não existe, apenas existe a sensação de que existe gerado pela Mente. Mas podemos compreender que, mesmo em se tratando de uma ilusão, a força de separação é tremendamente poderosa; basta que se sinta que mesmo ela não sendo capaz de causar verdadeiramente uma ruptura na Unicidade, ainda assim é suficiente para substituí-la por uma ilusão. Todas as chamadas manifestações satânicas são basicamente mecanismos do ego, isso quer dizer que “satanás interior” na verdade existe apenas como ego. O maior terror que os seres têm é de perder a sua aparente individualidade, mas isso acontece porque eles ignoram a sua verdadeira natureza, a natureza de Ser Uno. Como é o ego quem fornece os meios de manter a separatividade, então ele é cultivado com tremendo empenho pelos seres. Eles defendem o ego a qualquer preço por ver nele o elemento de manutenção da individualidade. Mesmo que jamais alguém haja pensado sobre isso, ainda assim ele normalmente age de conformidade. O ser faz com que o ego tenha cada vez mais força, alimenta-o através do orgulho, ciúme, inveja e outros. Por um lado tudo isso é um mecanismo do ego que visa proteger a individualidade. O ego é o reflexo satânico da existência imanente, e não pode haver libertação sem que haja a sua eliminação, comente assim é que os seres só poderão voltar a integrar o Ser. Isso só ocorre com a cientificação. Jesus disse: “Conhece a verdade e ela te libertará”. Conhecendo a verdade sobre os meios de atuação da força diabólica se torna mais fácil a libertação. Sabendo que tudo se manifesta sob a forma de ego, é imperioso que a pessoa se liberte dele eliminando os seus ardis. A individualidade, de certo modo, é uma cria do ego, algo terrivelmente dominador, e o que é curioso, ele é alimentado pela própria vítima, pelo ser. Mas, a resistência contra a perda da individualidade pela eliminação do ego é tremenda. Assim se pode entender como é terrivelmente poderosa a força satânica. A condição de ser é mera ilusão, ou seja, é produto da limitação da percepção. Tudo nele é limitado, deformado e imperfeito, mas mesmo assim a pessoa persiste em querer continuar, a fazer de tudo para continuar sendo ser, resistindo a sua verdadeira natureza de Ser, perfeita, ilimitada e indeformada. A mais autêntica face de satanás no nível de ser é, sem dúvidas, o ego. Mesmo para os que admitem que ele exista a par da pessoa, ainda assim o seu mecanismo é exatamente o ego. Uma das formas de luta contra o ego, por certo, é o mantra: Om Sai Ham (Sou Deus), sou o Ser e não um ser. |
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Escrito por José Laércio do Egito
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Sáb, 13 de Fevereiro de 2010 18:03 |
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O COLOSSAL PODER DO EGO “VOLTAR ATRÁS É MELHOR QUE PERDER-SE NO CAMINHO” PROVERBIO RUSSO 2 0 0 6 - 3 3 5 9 TEMA 1.649 Em muitos escritos vemos que não há distinção entre o Eu e o Ego, mas as Tradicionais Ordens Unistas, entre elas o Hermetismo faz distinção entre essas duas condições, pois não se pode entender a problemática da existência humana sem que se entenda o que representa o que representa o “Eu” e o Ego. É importante que se faça uma precisa distinção entre Eu e Ego, para que o tema possa vir a ser bem compreendido. O “EU” é a essência da existência, é uma expressão existencial do Ser em nível de Transcendência e não é o mesmo que o “ego” considerado como uma expressão do ser em nível da Imanência. O Eu nada tem a ver com a Mente, enquanto que o ego sim, por ser a expressão dos seres em nível de Imanência. Podemos dizer que o ego é uma qualidade ligada à descontinuidade do ser, ou seja, uma das “descontinuidades” do EU. O Ser não tem Ego, enquanto que os seres têm. A creação se caracteriza pela descontinuidade perceptiva da unicidade. Em outras palavras, UM se “desdobrou” em múltiplos. O mesmo pode dizer do EU – O Ser único quando se manifesta o faz fracionariamente, criando a ilusão de seres. Assim como a percepção desdobra a unicidade, ela também desdobra o Ser percebendo-o como frações que então recebem o nome de seres. Na verdade só existe Um Ser, mas como a percepção é limitada, então Ele é percebido fracionadamente e as frações perceptíveis são então consideradas – vistas – como os seres. Na Transcendência existe o Eu – o Um – mas como a percepção é limitada, então o Eu – O Ser – é visto fracionadamente, ou seja, é visto como seres – partes – e que são dotados de ego. No Um existe a perfeição absoluta, o Eu é perfeito, mas quando ele se manifesta em descontinuidades surge a imperfeição. Só havia o UM, o EU, o SER que ao se desdobrar pela primeira vez, passou a existir o dois, o tu, e os seres. Antes só havia o EU, pois só havia o Um. Só depois do primeiro desdobramento surgiu o Tu, pois já passou a existir a multiplicidade. Suponha um diálogo estabelecido entre o Ser e um dos seres (uma das suas partes aparentes). Considere o seguinte: com a primeira fração se estabeleceu o Eu e o Tu, ou seja, o Um e o Dois. Tudo quanto há no incomensurável universo é parte do UM, vejam que poder incomensuravel existe para ser capaz de manter tamanha coesão, mas, mesmo assim, houve a “fragmentação”. Mesmo que ela não seja de fato, que seja uma ilusão, ainda assim é um poder que capaz de fazer com que uma realidade se manifeste como ilusão. Algo capaz de fracionar (mesmo que não seja realmente uma fragmentação, mas uma ilusão, mesmo assim deve estar envolvido em tal processo um colossal poder). Considere, pois, que houve a manifestação de um “poder” tremendo, inconcebivelmente colossal para ser capaz de fracionar o Um e para manter a separação que ainda está sendo mantida. Toda problemática da existência no mundo imanente é a volta ao Um, mas para isso tem que ser vencido aquele poder colossal. O poder de separação constitui a Mente e a separação é mantida por uma quantidade grande de condições que, em conjunto, pode ser conhecido como Ego. As coisas continuam separadas enquanto persiste o sentido de “meu” e o “teu”, e é isso compõe do Ego. É o meio através do qual a mente mantém-se separada. No nível do ego não existe o “meu” e “teu”. O “meu” e o “teu” precisam ser isolados, se não o forem deixam de haver as duas condições. Se o ego for abolido tudo volta a ser Um, pois deixará de existir tudo aquilo que serve como separação. Somente com a eliminação das condições separativas, o “meu” e o “teu”, que compõem o ego é que a reintegração à origem pode ocorrer. Se não existe uma separação real, então a ruptura entre o “Eu” e o “Tu” é apenas em nível de percepção, e sendo assim o processo consiste na eliminação da percepção como totalidade para ser percebida como parcialidades. Ocorrido o primeiro fracionamento então passou a existir a idéia de “eu” e de “tu” – o Um e o Dois – Acontece que, a parte acredita ser independente; e conservação da presumível independência envolve mecanismos de proteção do Ego. O Ego, um estado de auto-preservação da individualidade; o dois, “quer” manter-se como tal a todo o custo, “quer” preservar a individualidade; os seres querem se manter como tais e não voltar à condição de Ser. O Ego resiste fortemente a se tornar EU, para isso ele faz de tudo para se manter como ser, para não voltar à de, a condição de Um. Podemos dizer que o Um é o Pai e o Ego Sophia. Diz o Mito, Sophia quis ver o Pai, acreditou ser igual à Ele. Isso indica a necessidade da preservação da individualidade Sophia a todo custo, pois ela se considera o Um e não o dois ou outra fração. O Mito Gnóstico diz que o Demiurgo creou os anjos e que ao ver legiões e legiões deles disse: “Eu sou Deus”, no que foi repreendido pelo Superior que disse: Tu és Samaël, deus dos cegos. Nesse ato nasceu o ego no Mundo Imanente, que consiste nos mecanismos de preservação da individualidade. É através dos mecanismos do ego que o ser se acredita uma unidade independente. Transportando isso para o nível da Tríade Superior, pode-se entender que é o ego quem faz com que o ser tenda a ficar retido nessa condição, reencarnando sucessivas vezes, preso à roda das encarnações. É o “ego” que faz cada ser se considerar uma unidade independente, uma individualidade, que na verdade não é. Figurativamente podemos pensar: Algo é capaz de impedir a reintegração, de se opor à força integrativa tem que ser colossal, desde que envolve tudo quando existe no Cosmos. Esse algo se manifesta de diversas formas, no espírito ele se exterioriza como o Ego. No processo da creação da ilusão de Mundo Imanente, esse mundo incomensuravel que temos diante de nós saiu da Consciência una através da Mente. Sabemos que a Mente só existe através do ego, evidentemente um conceito mais vasto de ego, não só ao nível de indivíduos, mas ao nível de tudo. È a força que mantém a separação, que mantém a multiplicidade. O surgimento do ego, na verdade, teve início antes mesmo da creação do Mundo Imanente, antes da Trindade ser estabelecida. Ele surgir no primeiro momento em que a Mente emergiu da Consciência. Esta passou a ser o Eu e a Mente, o Tu (ou vice versa). A Mente “procurou” evitar voltar a ser a Consciência, a ser reabsorvida. Procurou se afastar cada vez mais da Consciência. No nível da Imanência, a Mente se individualizou nos espíritos e, cada vez mais, aumentou a força de preservação se tornou mais intensa. Mesmo saindo do seio da Consciência, a Mente, mesmo sendo sua “filha”, ainda assim se estabeleceu uma luta pela independência pela individualidade. A Mente se considerou igual à Consciência, e dela se afastou para se preservar, pois se abandonasse os meios de proteção do ego, então não haveria diferenças entre a Mente e a Consciência. Tal como aconteceu com Sophia, a Mente mergulhou num mar de ilusão. Os mecanismos que a Mente primeiro fez uso para salvaguardar a sua individualidade, compreende o ego (que podemos chamar de ego cósmico). Mas como dita o Principio da Correspondência: assim como é em cima é em baixo. O mesmo mecanismo que mantém as colossais sistemas siderais separados, individualizados – ego cósmico – se faz sentir no mundo creado com ego. |
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Escrito por José Laércio do Egito
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Sáb, 13 de Fevereiro de 2010 17:55 |
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AUTO-ESTIMA E AUTO-IMAGEM “ CREIO SER DIFICÍLIMO E RARO CONHECER-NOS A NÓS PRÓPRIOS, MAS FACÍLIMO E COMUM ILUDIR-NOS”. W. VON HUMBOLTDT 2 0 0 0 - 3 3 5 3 TEMA 1.295 Vale aqui fazer algumas considerações sobre a auto-estima, situando-a dentro do contexto miasmático, e mostrar a diferença que existe entre auto-estima e auto-imagem. A auto-estima é um sentimento que pode ser considerado como conservação do “ego”, enquanto que a auto-imagem é um fator de criação e hipertrofiamento do “ego”. São os lados “minus” e “plus” dos “conceitos” quem estabelece o nível de auto-estima. Um individuo com um bom grau de equilíbrio mental normalmente equaliza a “minusvalia” e a “plusvalia”. Em síntese, podemos dizer que a auto-estima equivale ao querer bem a si mesmo, um aspecto comparável ao narcisismo, sentimento este que quando não está exacerbado, miasmaticamente pode ser considerado como uma condição psórica. A auto-estima quando diminuída pode se refletir como complexo de inferioridade, sentimento de incapacidade, apatia, desencorajamento, e outros sintomas que refletem indiferenças para com os seus próprios valores pessoais, para com aparência pessoal tanto física quanto mental, e que geralmente se apresenta como um estado de tristeza. Quando acontece uma ampliação da auto-estima a conseqüência se faz presente mais como ansiedade, como angústia, como medo e coisas assim. O sofrimento é mais direcionado para a própria pessoa, portanto deve ser então considerado como um sintoma psórico. Embora em muitas situações a auto-estima pode ser confundida com a auto-imagem que é um produto diretamente ligado ao “ego”. Há três distintos conceitos sobre a maneira de ser da pessoa. A primeira é como ela vê a si mesma, a segunda é como os outros a vêm, e a terceira é como realmente ela é. A auto-imagem corresponde à primeira destas três condições. Ela representa o conceito que a pessoa tem de si mesma. Este conceito pode estar diminuído ou ampliado, em decorrência de distúrbios da área intelectiva, gerada por danos estruturais ou deformações educacionais, sociais, religiosos. São condições que vão se refletir como sintomas, podendo chegar a um patamar de ilusões e mesmo de delírios intelectivos expressos como: Acredita ser rei; acredita ser uma pessoa muito importante; pensa que todos lhes devem obediência, que é Deus, que tem uma missão divina na terra, que é um messias, que é um gigante, que todas as pessoas lhes são inferiores, com tendência a humilhar os subalternos e inúmeros outros. Enche-se de arrogância, de prepotência, de orgulho, de ditatoriedade, de egotismo, podendo até mesmo atingir um nível de crueldade de maldade, de vingança. O quadro descrito pode ser condicionado por distúrbios da área intelectiva podendo então se exacerbar até um ponto em que a pessoa estará sujeita a ter distúrbios sinestésicos, tais como se sentir fisicamente enorme, sentir que é dois, que está divido, Quando o “ego” se torna fortemente impregnado com a auto-imagem, então a pessoa já não é mais ela, e começa a agir como se fosse uma outra pessoa. A auto-imagem é sempre alimentada pelo “ego”; tanto mais este se amplia quanto mais aumenta o sentimento de ampliação da auto-imagem. Quando uma pessoa dá muita importância à auto-imagem, ela limita a sua capacidade de apreciar os outros, e o mundo à sua volta, tornando-se individualista, egocentrista, pelo que se torna antipática, alguém de um humor indesejável. A auto-imagem tem como base a ilusória idéia do “eu” e do “outro”, e se cristaliza com a do “eu sou”, do “meu”. A auto-imagem é um subproduto do ego, pois quando ela começa o ego já está presente. Ela inclui não só o que a pessoa possa identificar “conscientemente” em relação a si própria, como também processos “inconscientes”, o que corresponde ao conceito jungueano de “sombra” ou “lado inferior”. Conduz a pessoa a se desviar daquela condição expressa por Samuel Hahnemann mencionada no Organon como “os altos fins da existência”. O comportamento de uma pessoa em relação à sua auto-imagem reflete muito do nível de clareza da consciência. Se observarmos atentamente o constante fluxo dos pensamentos notaremos que muitos deles estão relacionados com a auto-imagem, contribuindo para reforço da idéia de uma personalidade “separada” de quem somos em realidade. Enquanto uma pessoa for dominada pela auto-imagem, ela não pode ser livre; enquanto ela estiver presa à importância da auto-imagem, mais distante estará de ser livre o bastante para um viver mais tranqüilo no mundo da diversidade. Um intelecto bem estruturado requer um conceito de auto-imagem não exacerbado fazendo com que a pessoa não se identifique com ela, e isto é importante porque ninguém é a imagem que faz de si mesma, nunca é quem o que pensa ser, bem como não é que os outros fazem dela, e sim o que ela na realidade é. Afinal, ao auto-imagem nada mais é do que imaginação. Unisticamente a auto-imagem é um mero mecanismo de defesa do “ego”, portanto quando a pessoa chega ao nível de se sentir una a auto-imagem ela se dilui totalmente, pois percebe não ser a auto-imagem. Em termos de Homeopatia isto acontece exatamente naquela condição referida pelo Mestre Homeopata Argentino Thomaz Pablo Paschero, que dizia: “A verdadeira cura só ocorre quando a pessoa sai da posição de egoísmo e chega na de altruísmo”. Portanto, na medida em que a pessoa vem chegando, em termos físicos a um estado de cura, e espiritualmente ao de libertação, a pessoa proporcionalmente vem percebendo essa diferença e então se identificando cada vez menos com a auto-imagem que é responsável pelos nossos problemas, insatisfações e sofrimentos. Muitas vezes a causa de alterações do conceito tem como causa distúrbios de natureza sifilínico, mas que se manifestam como sintomas psíquicos de sicosis - quando ocorrer hiper-valorização da auto-imagem, e psórico quando há a sua atenuação. Por um lado os conceitos facilitam, por outro dificultam muito a vida das pessoas no mundo dialético. Logo que se cria um conceito diminuem as chances de uma experiência direta, pois ao se conceituar algo geralmente ele está sendo deturpado em favor do ego. Entre os elementos constitutivos do intelecto, sem dúvidas “conceito” é o um dos que mais respondem pelas emoções, desde que são os conceitos que condicionam as interpretações dadas às coisas. É como diz Clovis Correia de Souza Filho: No nível do ego, as terapias concernem à acentuação do “eu” (ego) e ao reforço da auto-imagem pela afirmativa “eu sou”. Neste nível o individuo pode assumir-se tomando a responsabilidade pelo que ele é. No nível que transcende o ego, as terapias concernem à desacentuação e transcendência e dissolução do ego. A transcendência e dissolução do “ego” e da auto-imagem é um processo altamente terapêutico, pouco conhecido dos que temem a solidão, pelo ato de perder a sólida noção do “ego” e da auto-imagem com a qual se relacionar. No dia em que começarmos a questionar se tais entidades (fictícias) e suas projeções existem realmente, estaremos nos aproximando de sua transcendência e dissolução, e da conseqüentemente “união” com a nossa verdadeira natureza. Enquanto nos identificarmos com o “ego” e com a “auto-imagem”, estaremos vendo, sentindo e percebendo o mundo como uma “extensão” desta imagem. Estaremos “limitados” aos cinco sentidos e à uma realidade puramente objetiva. Vemos nesse comentário que as terapias psicológicas clássicas tendem à uma pseudo-cura desde que elas apenas reforçam a estrutura do “ego”. Por outro lado, podemos afirmar que a Homeopatia como sistema de cura enérgico que é, pode eliminar muito dos véus que bloqueiam os sentidos físicos e psíquicos facilitando a pessoa a se dá conta de um outro nível de realidade, e conseqüentemente fazendo desaparecer a maioria das doenças que são meras sumarizações dos conflitos mentais.  |
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